Livro Julho Transformador

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Água pura

     Um homem roubou um balde de água no poço de um senhor, água era o bem mais precioso de toda a região.
     Os empregados do dono viram o infrator, mas naquele momento não foi possível pega-lo.
     Há muitos passos dali, o infrator com o balde na mão percebeu que alguém se aproximava, tratou de esconder o balde atrás de um casebre, disfarçando até a pequena caravana passar. Ao voltar para pegar o balde, se deparou com um velho que bebia de uma caneca a água que tirara do balde, enfurecido, chutou o velho derrubando-o no chão e disse:
    - Quanta ousadia! Terás que me restituir o mesmo tanto de água que roubou.
    - A única água que tenho é barrenta, e quase nem mata minha sede.
    - Não me interessa! Quero água tal qual a que me furtaste. Dentro de alguns dias voltarei para cobrar o que me deves.
    Passado alguns dias aquele homem foi ter com o senhor, e, enquanto lhe perguntava se tinha conseguido a água, chutava e batia no pobre homem.
    - Filho, não consegui uma água tão pura quanto a tua! Restitui-lo-ei com o dobro da água que possuo.
    - Isso não me paga! Quero uma água tão limpa e pura quanto a minha.
    Dizendo isso, voltou a agredir o velho senhor com a promessa de voltar em breve.
    Mais adiante, na estrada, foi surpreendido pelos funcionários do dono do poço que, rapidamente o pegaram e levaram-no ao patrão.
   - Aqui está senhor! Este foi o larápio que usurpou do seu poço.
   - Roubaste água de meu poço?
   - Desculpe-me senhor! Estava sedento!
   - Quanto roubaste?
   - Um balde senhor!
   - Sabe quanto custa um balde de água pura aqui nessas redondezas?
   - Muito senhor!
   - Terás que trabalhar para mim por anos para pagar o que roubaste!
   - Perdão senhor, não o farei mais, estava com muita sede.
  O patrão, sábio como era, pensou e decidiu absolver o criminoso.
   - Pois bem, seu crime está perdoado!
   Submisso, o homem achegou-se até o patrão e beijou-lhe a mão.
   Agradecido, retirou-se da presença do nobre senhor.
   Rapidamente, voltou ao casebre do velho, e, repetindo as agressões cobrava do pobre homem a dívida. O  idoso homem clamava:
   - Perdão! Por favor, perdoa-me!
   - Não, terás que me restituir!
   Os servos do dono do poço passaram a tempo de ouvir todas as barbáries e agressões, de forma que entraram no casebre e tiraram ambos de lá de dentro, levando-os para uma audiência com o patrão.
   Chegando lá o senhor já irado com a situação disse:
   - O que se passa?
   - Ó nobre senhor! Que os envolvidos se pronunciem!
   - Pois bem, diga o mais novo primeiro!
   - Esse velhote me roubou algo muito precioso e não quer me restituir.
   O velho, de joelhos, com o rosto todo machucado, disse:
   - Isso mesmo senhor! Ele tem razão, esse pobre pecador mereceu a justa paga pelo crime cometido. Porém não tenho como restituir o bem que usurpei, pobre e velho que sou não tenho como conseguir.
   - Que bem tão precioso o senhor usurpou?
   - Uma caneca de água.
   - Ele fez tudo isso por conta de uma caneca de água?  Imagine o que teria feito se fosse um balde! Pois bem, servos, peguem um balde e uma caneca!
   Um servo trouxe um balde similar ao usurpado do poço e uma caneca, e, o patrão entregando a caneca na mão ressequida do velho, disse:
   - Eu lhe ofereço a água do meu poço para restituir esse homem.
   O velho foi ao poço e, puxando um balde mergulhou aquela caneca - que era maior do que a dele - e retirou.
   O senhor disse:
   - Restitua ao rapaz.
   Assim fez o velho senhor.
   - Não deves mais nada para este homem – Assegurou o patrão.
   - Obrigado pela sua generosidade senhor!
   O patrão olhando severamente para o homem que estava sendo segurado por dois servos, disse:
   - Agora tu que tiveste o maior exemplo de perdão, não conseguiu perdoar o roubo de uma simples caneca. Então receberás a justa paga não pelo meu conceito de justiça, mas sim pelo teu senso de justiça.
   - Servo, encha o balde utilizando a caneca como medida! - Ordenou o patrão.
    O servo assim o fez.
  - Um total de trinta canecas senhor!
  - Então, que sofra ele trinta vezes mais o que fizeste ao pobre velho.
  Os servos o levaram e cumpriram conforme as palavras do patrão.
  O velho ajoelhando aos pés do patrão disse:
  - Perdão senhor! Muito obrigado! – E estendeu a caneca para o patrão.
  - Esta caneca é sua! Sempre poderás enchê-la em meu poço, e, achando viável poderás compartilhar a água que pegar com quem quiser, não serás advertido por isso, e sim admirado. Vá e seja feliz.
  O velho saiu carregando aquela caneca cheia de água.





Baseado texto bíblico de Mateus 18: 23 - 34.

Roberto Albano


  
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